sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O DESENVOLVIMENTO DO DUALISMO

A crença dos gregos na existência separada de alma e corpo (o chamado dualismo) não surgiu de uma hora para a outra, mas evoluiu ao longo de séculos, consolidando-se formalmente entre os séculos VI a.C. e IV a.C.. [1, 2]

A compreensão dessa evolução divide-se em três grandes momentos da história grega:

1. Período Homérico (Séculos XII a VIII a.C.): A alma como um "sopro" fraco

Nos poemas de Homero (Íliada e Odisseia), os gregos não tinham um conceito de dualismo mente-corpo como temos hoje. A palavra psyché (alma) significava apenas o "sopro de vida". [1, 2]

·         Enquanto a pessoa estava viva, a inteligência e as emoções eram atribuídas a órgãos físicos (como o coração ou o diafragma).

·         Quando o indivíduo morria, a psyché deixava o corpo como uma "sombra" ou "fantasma" sem consciência e ia para o submundo (o Hades), enquanto o corpo morto era visto como o verdadeiro "eu" que restou. [1, 2, 3]

2. Século VI a.C.: O Orfismo e Pitágoras (A reviravolta espiritual)

A grande mudança começou no século VI a.C. com o surgimento dos mistérios órficos (uma corrente religiosa) e com o filósofo Pitágoras. Eles introduziram ideias revolucionárias para a Grécia: [1, 2]

·         A alma passou a ser vista como a essência imortal do ser humano, algo divino que preexiste ao corpo.

·         Eles introduziram o conceito de transmigração das almas (reencarnação), onde a alma passa por vários corpos para se purificar. [1, 2, 3]

3. Século IV a.C.: Platão e a formalização do Dualismo

O conceito ganhou sua forma filosófica definitiva e moldou o pensamento ocidental através de Platão (428–347 a.C.). Platão dividiu a realidade de forma rígida: [1, 2, 3]

·         O Corpo (Soma): Pertence ao mundo sensível e material. É mortal, imperfeito e considerado por ele como o "cárcere" ou a prisão da alma.

·         A Alma (Psyché): Pertence ao mundo inteligível (das ideias). É imortal, detentora do verdadeiro conhecimento e do intelecto. [1, 2, 3, 4]

Pouco depois, Aristóteles (384–322 a.C.) modificou essa visão ao propor o hilemorfismo, defendendo que o corpo é a matéria e a alma é a forma, argumentando que os dois operam juntos como uma unidade inseparável enquanto vivos. [1]

 

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