quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A BÍBLIA E O AEDES AEGYPTI.

DOMINGO, 10 DE ABRIL DE 2011

A BÍBLIA E O AEDES AEGYPTI.

Em uma vila de aproximadamente três mil habitantes, que no tempo do verão via sua população triplicar devido às lindas praias dos arredores, residia um casal de setenta anos. O Sr FLORIANO, e sua esposa a  Sra MARIETA se aposentaram há alguns anos e mudaram para a bucólica e aprazível vila a beira do mar.
Além de viverem e desfrutarem das belezas do lugar, dedicavam grande parte do tempo ao estudo da BIBLIA, e ao conhecimento do proposito e do direcionamento de DEUS. No dia que fizeram uma reflexão acurada sobre o capitulo 3 ( TRÊS) do livro de Gênesis, compreenderam com nitidez que a "rebeldia" do homem contra DEUS, ao comer da arvore do conhecimento do bem e do mal, além de condenar toda a raça humana à morte eterna, também a fez inimiga de toda a criação de Deus <<< " visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da arvore que eu te ordenara não comesses, MALDITA É A TERRA POR TUA CAUSA; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de sua vida. Ela produzirá também CARDOS (espinhos) E ABROLHOS..." >>> e esse entendimento os levaram a concluir que inúmeras doenças, mazelas, pestes etc, são os CARDOS E ABROLHOS que a terra passou a produzir devido a maldição recebida como consequência da rebeldia do homem em relação a DEUS.
E assim, entenderam que a DENGUE  está incluída no pacote da maldição, pois o mosquito "Aedes aegypti", tem sua sobrevida assegurada devido à represália da natureza a uma agressão do homem.
A partir desse dia seus passeios se transformaram em "caminhadas de conscientização", onde os moradores e visitantes eram alertados e ensinados sobre a necessidade de uma coleta seletiva do lixo. O trabalho produziu bons resultados, não havendo por um longo período de tempo, na vila e nem nos arredores qualquer tipo de moléstia originada pela falta de "higiene ambiental."
Um belo dia, um novo casal fixou residencia na vila. O pastor Macario e sua esposa,  pastora Judith  chegaram com a missão de  fundar uma igreja no local. Como pessoas tementes a DEUS, o Sr Floriano e a Sra Marieta foram os primeiros frequentadores da igreja. Quando relataram aos pastores o trabalho que vinham realizando, receberam vários elogios, porém foram convencidos de que a prioridade da igreja é libertar as pessoas do poder do príncipe desse século --- SATANÁS---- trazendo-as para a igreja, onde serão alimentadas espiritualmente, e onde receberão a direção real do caminho da santidade, cabendo ao Poder Publico a iniciativa da prevenção e do combate a dengue a outras doenças. O casal de idosos, como ovelhas obedientes, trocaram o trabalho de conscientização pelo proselitismo pietista, cuja principal finalidade é a de encher os templos, para ouvirem pregações triunfalistas e humanistas.
O tempo passou, e enquanto as pessoas superlotavam a igreja local em busca das bençãos prometidas, o Aedes aegypti se reproduzia de forma acelerada. Ao tomarem conhecimento através de um telejornal de que o hospital daquela região estava repleto de pessoas diagnosticadas com "dengue", o Sr Floriano disse a Sra Marieta: <<  nossos pastores são pessoas sábias, pois realmente o mundo jaz no maligno >>. 
A historia acima e seus personagens são fictícios, mas os fatos descritos são a mais pura realidade. O analfabetismo bíblico principalmente em relação ao pecado, a pregação triunfalista e a exaltação de um poder que satanás não possui, formam a tríade responsável pela construção da muralha que impede o real e verdadeiro discernimento dos princípios e do proposito de DEUS. Quando pudermos entender que DEUS se revela através da BÍBLIA que é a sua PALAVRA, mas que ELE não faz revelações por meio DELA, talvez entenderemos que toda agressão a natureza se configura como manifestação do pecado, pois quando agredimos a criação de DEUS estamos agredindo o próprio DEUS. Se amamos a DEUS, amamos ao próximo, e qualquer coisa que fizermos que venha destruir o bem estar deste próximo, é uma ofensa a DEUS.
Para encerrar deixo duas recomendações:
Primeiro : Fazer um estudo acurado da 1ª epistola de JOÃO.
Segundo : Refletir sobre o quanto a falta de higiene ambiental pode afetar ou destruir o bem estar do próximo.
                 FABIO

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sábado, 8 de setembro de 2018

O QUE OS EVANGÉLICOS TEMEM PERDER


“O apelo do presidente Trump ao medo ignora que os cristãos buscam primeiro o Reino, não favores políticos.”

MICHAEL HORTON | 31 DE AGOSTO DE 2018

Em uma reunião na segunda-feira, com líderes evangélicos na Casa Branca, o presidente Trump alertou sobre a violência que pode acontecer contra os cristãos conservadores, caso o Partido Republicano perca a eleição em novembro. Os evangélicos, disse ele, não estão longe de "de perder tudo nesta eleição".
Como evangélicos, faríamos e faremos bem corrigir o presidente neste ponto. Se uma eleição pode nos fazer perder tudo, o que exatamente temos colocado em primeiro lugar?
Certamente devemos ser gratos por qualquer servidor público que defenda a Primeira Emenda, e devemos aplaudir os irmãos que exercem sua educação e experiência como advogados para defender a liberdade religiosa (desde que eles não procurem privilegiar o cristianismo legalmente acima de outras religiões). No entanto, a igreja não prega o evangelho para o prazer de qualquer administração, ou se recusa a pregá-lo para desagradar outra. Nós pregamos para o prazer de Cristo, e não fazemos suas políticas, mas as comunicamos. Não é quando somos alimento de leões que perdemos tudo, mas sim, quando pregamos outro evangelho. “Para que serve alguém ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?” (Mat 16:26).  No entanto, oscilando do triunfalismo ao desespero fervilhante, muitos pastores estão transmitindo para o público, de forma ampla, a observância de uma fé pública no poder político que está em forte oposição a tudo que dizemos acreditar. Para muitos de nossos vizinhos, os capelães da corte parecem mais “bobos” da corte. Algo tremendo está em jogo aqui: se os cristãos evangélicos colocam sua fé mais em César e em seu reino, do que em Cristo e seu reinado, naquele temos tudo a perder - neste mês de novembro e em todos os outros ciclos eleitorais. Quando buscamos favores políticos especiais para a igreja, comunicamos às massas que o reino de Cristo é apenas mais um grupo demográfico do eleitorado americano.
Enfrentemos esta realidade. Liberais e conservadores, católicos e protestantes, têm cortejado o poder político e alegremente se permitiram ser usados ​​por ele. Isso sempre acontece quando a igreja confunde o reino de Cristo com os reinos da presente época. Jesus não veio para impulsionar a teocracia em Israel, muito menos para ser o pai fundador de qualquer outra nação. Lembremos que durante seu ministério, dois discípulos - Tiago e João - queriam fazer um julgamento sobre uma aldeia que rejeitava a mensagem deles, mas “Jesus se voltou para eles e os repreendeu” (Lucas 9: 54–55). Ele não é mascote de um partido político ou de uma eleição, Ele é o salvador do mundo. Ele veio para perdoar pecados e trazer a vida eterna, para morrer e ressuscitar, para que, por meio da fé depositada nele, também possamos compartilhar de sua nova criação. Em seu julgamento, Jesus disse a Poncio Pilatos que ele era realmente um rei - mas o herdeiro de um trono maior do qual o governador romano jamais poderia imaginar. “Disse-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” João 18:36.
Nele, sim. Até para isso. Mas não a partir do mundo. Assim, não é Pilatos quem decide o destino de Jesus. “Ninguém tira [minha vida] de mim, mas eu a dou por vontade própria. Tenho autoridade para estabelecer e autoridade para retoma-la ”(João 10:18).
Jesus predisse a destruição do Templo em Jerusalém e após um longo período isso ficaria simultaneamente marcado pela perseguição e expansão de seu reino. De que forma? Armados com nada mais do que o seu evangelho, o batismo e a Ceia, alimentados pela liberdade da graça e pelo amor iam a todas as pessoas, grandes e pequenos, a quem precisava ouvir a mensagem salvadora. Se alguém quiser falar sobre a violência real contra os cristãos, certamente a perseguição dos primeiros cristãos deve ser contabilizada. Ainda deve ser considerado que, em todo o Novo Testamento o mandamento sobre o assunto, nos chama a amar e orar por nossos inimigos com a confiança de que Cristo continua construindo sua igreja.
Então, por que o apelo ao medo funciona tão consistentemente com muitos que afirmam estar seguindo o mesmo caminho dos discípulos de Jesus, a quem ele disse: “Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino” (Lucas 12.32).
Isso não quer dizer que não devamos nos preocupar com a situação ou com os problemas de nossa nação. Em nenhum lugar do Novo Testamento os cristãos são evocados a evitar as responsabilidades de nossa cidadania temporária, mesmo que nossa cidadania final esteja no céu (Fp 3:20). No entanto, muitos de nós, passamos a imagem de que apostamos tudo, não apenas nas liberdades constitucionais, mas também no respeito social, na aceitação e até mesmo no poder, mas isso vem à custa de confundir o evangelho com o nacionalismo cristão.
A única nação cristã no mundo hoje é aquela composta “de toda tribo e língua e povo e nação” (Apoc. 5: 9) sobrescrita por seu rei. Em sua Grande Comissão, Jesus deu autoridade à igreja para fazer discípulos, não cidadãos; proclamar o evangelho, não opiniões políticas; batizar pessoas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, não em nome da América ou de um partido político; e ensinar tudo o que ele determinou e não nossas prioridades pessoais e políticas. E, Ele prometeu que sua presença conosco é algo que o mundo nunca poderia tirar.
Quem crê, é incapaz de pregar que os cristãos evangélicos “não estão longe de perder tudo por causa de uma eleição” sejam na América ou em qualquer país. Quem crê jamais se esquece de cantar o aviso do salmista: “Não ponhas a tua confiança nos príncipes, nem nos filhos de homens, em quem não há socorro, pois o seu alento sai, volta para a terra, e nesse mesmo dia seus pensamentos perecem”.
“Feliz aquele que tem o Deus de Jacó para a sua ajuda, cuja esperança está no Senhor seu Deus” [Salmo 146. 3 a 5]

Michael Horton é J. Gresham Machen Professor de Teologia Sistemática e Apologética no Westminster Seminary na Califórnia e responde a perguntas no CoreChristianity.com .

Publicação original:  
https://www.christianitytoday.com/ct/2018/august-web-only/evangelicals-trump-elections-losing-everything.html?utm_source=ctweekly-html&utm_medium=Newsletter&utm_term=11338976&utm_content=604901118&utm_campaign=email

TRADUÇÃO CORRIGIDA E REVISADA POR: Fabio Silveira de Faria.



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sexta-feira, 20 de julho de 2018

SETE IDEIAS PARA MELHORAR O COMPROMETIMENTO BÍBLICO EM SUA IGREJA

COMPROMISSO BÍBLICO
[Como encorajar uma experiência mais profunda nas Escrituras]
 POR JR Briggs

Um homem mais idoso do que eu se mudou recentemente para a casa vizinha. Ele carregava uma caixa grande, quando lhe dei as boas vindas. Depois de uma rápida conversa, gesticulei em direção à caixa e lhe perguntei: "O que é isso?" Ele respondeu: "É uma caixa de velhas Bíblias."
Meu novo vizinho disse que havia se aposentado recentemente, e resolveu se mudar para uma casa menor que estivesse de acordo com suas necessidades, e explicou que aquelas Bíblias estiveram em sua família por algumas gerações. Também explicou que não era religioso, e no passado, só havia frequentado a igreja antes de servir no Vietnã.
Sabendo ser eu um pastor, achou que talvez eu quisesse as Bíblias. Foi um gesto gentil.
"Você não as quer?" Perguntei. “Que tal seus filhos”? Será que eles não querem mantê-las na família?
"Não", disse ele. “Minha esposa faleceu. Meus filhos não estão interessados ​​nelas. Eles não leem a Bíblia, e nem eu, mas se eu jogá-las fora, Deus pode me castigar, ou algo assim. Eu quase ri, mas percebi que ele não estava brincando. Ele honestamente achava que Deus iria puni-lo se jogasse fora as Bíblias. Então resolvi ficar com as Bíblias.
Esta conversa é um exemplo extremo da relação contraditória de muitas pessoas com a Bíblia: elas acreditam que há algo de especial, e que ela seja o Bom Livro, mas raramente, ou nunca, realmente o leem.
Embora a propriedade e as vendas da Bíblia permaneçam fortes, a leitura e o engajamento caíram significativamente. De acordo com o Instituto para a Leitura da Bíblia, a família média na América do Norte possui quatro Bíblias e a família cristã média tem 11 Bíblias. No entanto, todos os dias, 700 pessoas param de ler a Bíblia para sempre.
Como pastores, o que devemos fazer com pessoas que possuem mais Bíblias do que nunca, mas têm pouco interesse em lê-las?
 Além disso, como podemos mover as pessoas para além da leitura bíblica automática e rotineira e das práticas de envolvimento profundo das Escrituras?
Além da leitura
Quão importante é o compromisso das Escrituras? Greg Hawkins e Cally Parkinson, em seu livro Move , compartilham suas descobertas de pesquisar o crescimento espiritual em 1.000 igrejas.
Essa foi a conclusão deles: Nada tem um impacto maior no crescimento espiritual do que a reflexão sobre as Escrituras. Se as igrejas tivessem que fazer apenas uma coisa para ajudar as pessoas em todos os níveis de maturidade espiritual a crescer em seu relacionamento com Cristo, sua escolha é clara. Eles inspirariam, encorajariam e equipariam seu povo para ler a Bíblia - especificamente, para refletir sobre as Escrituras em busca de significado em suas vidas. … O poder da Bíblia para promover o crescimento espiritual é inigualável, está acima de qualquer outra coisa que tenhamos descoberto. Mas o comprometimento com as Escrituras significa mais do que simplesmente ler as palavras da Bíblia. De acordo com Paul Caminiti, diretor sênior de mobilização do Instituto para a Leitura da Bíblia, o comprometimento com as Escrituras significa imergir na Bíblia. A Palavra não foi escrita para nos banhar, mas para mergulhar nela. Ele diz que muitas pessoas são instruídas a apenas “orar e ler sua Bíblia”. Ingenuamente, esperamos que as pessoas leiam suas Bíblias com sucesso sem orientação ou direção. O resultado, diz Caminiti, é que as pessoas lêem a Bíblia em fragmentos, fora de contexto e isoladamente. Caminiti sugere que a melhor maneira de reverter esse comprometimento superficial é ensinar as pessoas a ler as Escrituras em partes maiores, dentro de seu contexto original, juntos na comunidade.
Phil Collins, professor de Ministérios de Educação Cristã da Universidade de Taylor, descreve o comprometimento nas Escrituras como um processo de marinar e refletir sobre as Escrituras de uma maneira que leva a encontros transformadores com Deus. “Não é por informação ou culpa ou orgulho”, diz ele, “mas para conhecer e conhecer a Deus. É relacional”. Collins diz que esse tipo de envolvimento nos leva a nos deleitar em Deus e em seus caminhos (Salmo 119).

Como se pode facilitar este tipo de comprometimento mais profundo?

Primeiro: precisamos ajudar as pessoas a se concentrarem menos no quê e mais em quem. O estudioso do Novo Testamento, Scot McKnight, ensina que o objetivo de ler a Bíblia não é conhecer a Bíblia; é conhecer o Deus da Bíblia. Devemos ter o fim adequado à vista: não simplesmente obter mais informação, mas um relacionamento mais profundo com Deus.
Segundo: devemos ler a Bíblia nos termos da Bíblia, e não nos nossos. Nós não estamos acima das Escrituras e não as interpretamos. Em vez disso, nos colocamos sob as Escrituras e permitimos que ela nos dê a interpretação. A Bíblia tem autoridade sobre nossas vidas, não o contrário.
Terceiro: devemos ajudar as pessoas a ver o livro como uma compilação narrativa e não como um manual de referência para a vida. É uma história da qual participamos. Glenn Paauw, autor de “Salvando a Bíblia de Nós”, diz que mesmo quando as pessoas têm acesso a uma Bíblia bem traduzida, elas não necessariamente a entende bem. Lanche em pequenos pedaços da Escritura não é o que Deus pretendia. Se as pessoas o veem simplesmente como um manual de referência espiritual, diz Paauw, isso nunca as inspirará a se envolver com alegria, excitação e antecipação. Mas se ajudarmos as pessoas a ver a Bíblia como uma grande história na qual Deus nos convida a participar, ela pode inspirar e transformar.
Certa manhã de outono, alguns anos atrás, ao olhar pela janela da sala  notei a mudança de cores da árvore do vizinho.
"Olhe!" Eu disse ao meu filho de cinco anos, colocando meu dedo vidraça e apontando para a árvore resplandecente.
Ele olhou, e lentamente se virou para mim com uma sobrancelha levantada.
"O que, papai?"
“Você não vê isso”? É lindo, não é?
Ele seguiu meu dedo novamente e depois olhou de novo para mim, sem expressão.
Insistente, eu continuei: "Você não acha que a árvore é linda com todas aquelas folhas coloridas?"
"Qual árvore?"
Percebi que meu filho achava que eu estava me referindo à pequena mancha de sujeira situada na janela, bem perto de onde meu dedo apoiava. Ele estava olhando para a janela, não através dela.
Muitas pessoas adotam essa abordagem para ler a Bíblia. Eles se concentram na Bíblia e não no que a Bíblia revela. Ajude as pessoas a ler a Bíblia de uma maneira que lhes permita ver o mundo todo de maneira diferente. Se ajudarmos as pessoas a verem a Bíblia como uma grande história na qual Deus nos convida a participar, ela pode inspirar e transformar.
Sete Práticas para incentivar o comprometimento nas Escrituras
Então, o que podemos fazer para incentivar as pessoas de nossas igrejas a se envolver nas Escrituras? Aqui estão algumas práticas a ser tentadas.
1. Escreva as Escrituras à mão.
Peça às pessoas que escrevam capítulos inteiros ou mesmo livros da Bíblia. Isso pode ser trabalhoso, mas nos dá um tempo maior a fim de saborear cada palavra. Eu me envolvi nesse tipo processo escrevendo lentamente o livro de Mateus. Assim fui forçado a me concentrar em cada palavra e frase, permitindo-me então descobrir novos insights. Por só se conseguir escrever apenas alguns versos de uma só vez, somos impedidos de "ler" com rapidez, ou de ler somente a passagem, ou seja, em vez de passear de esqui aquático na superfície, mergulhamos no texto
2. Faça perguntas - mesmo as mais difíceis.
Leia uma passagem e peça às pessoas que escrevam de 10 a 15 perguntas sobre a passagem em um pedaço de papel. Por que a mulher perguntou isso de Jesus? O que estava passando pela mente de Abraão quando subia a montanha para sacrificar Isaque? Permita que as pessoas interajam com o texto lutando corajosamente com perguntas difíceis.
3. Coloque-se na história.
Leia uma passagem narrativa das Escrituras com um grupo de pessoas. Em seguida, divida a sala em grupos e atribua às pessoas diferentes personagens na história que você acabou de ler. Peça-lhes que se imaginem na história como se estivesse acontecendo. Em seguida, leia a história novamente e peça-lhes que respondam às perguntas: “Se você fosse essa pessoa em particular, o que sentiria, pensaria ou consideraria fazer?” “O que você gostaria que Deus fizesse por você nessa situação?”
4. Praticar Lectio Divina
Lectio Divina - “leitura sagrada” - é uma maneira de ler em oração uma passagem da Escritura, lenta e repetidamente, convidando o Espírito Santo a revelar a verdade para nós através de quatro movimentos: ler, ponderar/ meditar, orar e viver. Enquanto isso é praticado na maioria das vezes individualmente, pode ser tão poderoso e proveitoso para a igreja inteira.
5. Leia a Bíblia em comunidade e faça cinco perguntas simples.
Reúna um grupo de pessoas e peça a alguém que leia um grande pedaço das Escrituras. Em seguida, siga com perguntas para interação. Durante anos, nossa igreja deu às pessoas essas cinco perguntas para incentivar interações mais profundas com o texto.
- O que está acontecendo na história/passagem?
- O que me excita, inspira ou me encoraja nesta passagem?
- Que desafios, sacode, confundem ou até me ofende nesta passagem?
- O que isso nos diz sobre a essência de Deus ou a natureza de Jesus?
- O que faremos com o que acabamos de ouvir/aprender nos próximos sete dias?
6. Memorize as histórias da Bíblia juntas.
Muitos de nós crescemos memorizando versos, mas quando foi a última vez que você memorizou uma história bíblica inteira? Histórias nos agarram, nos moldam, nos faz mover e nos inspiram. Reúna-se com um grupo de pessoas e memorize a Parábola do Filho Pródigo ou a história de Jesus curando Bartimeu, e depois revise a história um para o outro.
7. Utilize arte e escritura.
Através dos séculos, artistas pintaram belas versões de relatos bíblicos. Rembrandt e O Retorno do Filho Pródigo, A Incredulidade de São Tomás de Caravaggio, e Os Discípulos de Pedro e João, de Eugene Burnand, Correndo para o Sepulcro, na Manhã da Ressurreição, são ótimos lugares para começar. Você também pode dispor de materiais de arte (lápis de cor, marcadores, papel, tintas, telas, barro), ler uma passagem em voz alta e pedir às pessoas que desenhem ou esculpem a história. Depois, convide as pessoas a compartilhar suas criações com outras pessoas para estimular a conversa sobre a passagem.
Existem inúmeras maneiras de convidar as pessoas a juntas se envolverem com as Escrituras. Como pastores, podemos modelar esse amor, deleite e paixão pelas Escrituras, mostrando aos outros como nosso próprio relacionamento com Cristo é aprofundado pelo nosso compromisso com a Bíblia e convidando outras pessoas a participar do processo conosco.
JR Briggs é o fundador das Parcerias Kairos. Ele serviu por 10 anos como pastor da Comunidade Renew na área da grande Filadélfia.
PUBLICADO EM: Christianity Today em  20 de julho de 2018
https://www.christianitytoday.com/pastors/2018/spring-when-church-gets-sidelined/7-ideas-for-improving-bible-engagement-in-your-church.html?utm_source=ctweekly-html&utm_medium=Newsletter&utm_term=11338976&utm_content=595488806&utm_campaign=email



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sábado, 5 de maio de 2018

NOSSO CHAMADO: MISSIONÁRIOS EM UMA TERRA SECULAR

    Nosso chamado: missionários em uma terra secular

A realidade é que os cristãos são intrusos. Somos estrangeiros e estrangeiros. 

ED STETZER




                 Como cristãos, acredito que devemos ser sempre mais guiados por nossa identidade missionária do que por nossa identidade nacional, nossa identidade política, nossa identidade ambiental, nossa identidade social ou mesmo nossa identidade de igreja.
               Não me entenda mal. Nós devemos amar nossa igreja. (Eu sei que amo a minha igreja.) E a Igreja (com o capital C) é a noiva de Cristo, destinada para a eternidade com Deus. Mas aqui na terra devemos encarar a realidade de que nossa cultura não é para ser nossa identidade primária.
            Nossa cultura é um campo missionário. Nós devemos nos ver como pessoas em missão. Esta não é a nossa casa. Este é o nosso campo missionário. Portanto, todos nós devemos ver nossas vocações como missão - como obra do reino.
                                 Estranhos em uma terra estrangeira
             Primeira Pedro 2:11 nos diz que somos estranhos e exilados . Esta terra não é nossa casa. Mas parte do desafio é que muitas pessoas querem lutar por sua terra natal em vez de reconhecer que devemos ter a mentalidade de estrangeiros e exilados.
       Vamos colocar isso nos fatos que conhecemos sobre nossa população. Se a porcentagem de pessoas que são nominalmente cristãs está diminuindo e os cristãos nominais se tornam Nonas, então estamos morando em uma terra cada vez mais secular.
      Como resultado, precisamos de uma ênfase na clareza do evangelho. Ser rotulado como cristão não significa mais um 'cristão social', mas sim alguém que foi mudado pelo poder do evangelho, se é que você o fez. Esta é uma mudança teológica vital na maneira como somos vistos e devemos ver nossa terra.
          Compreender essas mudanças é necessário, em parte, porque vivemos em uma época de indignação. As pessoas em nossa terra ficam irritadas com coisas que não gostam. Isso nos chama à clareza do evangelho. E a identidade missionária, vendo-nos como estranhos e residentes temporários, é o que nos levará a mostrar e compartilhar o amor de Jesus como deveríamos.
                                      Somos uma minoria de convicção
               Houve um tempo em que fomos percebidos (incorretamente, eu acho) como uma maioria religiosa. Hoje somos uma minoria convicta. Isso é fundamental, porque quando você é uma minoria de convicção, você não se encaixa no mainstream da cultura. Somos estatisticamente uma minoria de pessoas em nossa cultura que pensam de forma diferente da cultura dominante. Nós não estamos andando por aí pensando, somos a maioria. Você vai fazer o que eu digo. Você vai aceitar todos os meus padrões.
        Muitas pessoas ainda pensam na cristandade quando pensam em americanos, candianos, britânicos ou o que seja . Eles acreditam que precisam recuperar o país, porque é deles e outros são intrusos.
A realidade é que somos os intrusos. Nós somos os estranhos e estrangeiros.
         Quando pensamos como uma minoria de convicção, nós engajaremos menos a cultura com "Você me deve" e mais com "Como eu posso engajar você na cultura em que estamos através da missão em que estamos?"
       A cristandade morreu. Não o cristianismo, estatisticamente, mas a cristandade.
             A ideia predominante de uma cosmovisão judaico-cristã não é mais algo que podemos dar por garantido. Estamos em uma era pós-cristandade. Nosso foco agora deve ser mais na missão, evangelismo e afins.
             Desculpe-me cristãos, mas não somos donos do direito de primogenitura. Nós somos exilados. Muitos cristãos sinceros viram a América como um novo Israel. Quando Ronald Reagan disse: "Nós seremos uma cidade sobre uma colina", alguns viram alguma relação divina com uma nação específica. Mas, vamos ser claros: Reagan não estava citando a Bíblia; ele estava citando John Winthrop de pé no convés do Arabella em 1630.
              Deus ama todas as pessoas. E talvez tenhamos uma grande responsabilidade porque ocupamos “uma grande terra entre dois grandes mares” (outra gema de Reagan). Mas nós não somos o novo Israel. Nosso relacionamento de aliança com Deus não é um pacto como o Antigo Testamento.
                 Claro, podemos orar: "Senhor, cure nossa terra", mas 2 Crônicas 7:14, onde Deus diz: "Se o meu povo, que é chamado pelo meu nome, se humilhar e orar, eu vou ouvir do céu e curar sua terra "não é sobre nós. É sobre o antigo Israel no tempo do rei Salomão, que estava prestes a ir para a idolatria.
           Precisamos que Deus cure nossa terra, mas não temos uma terra da mesma maneira que o rei Salomão.
                              Pare o pensamento de QUE SOMOS Israel
            Temos que parar o pensamento de que somos Israel, que é este é o nosso lugar, o nosso lar. Em vez disso, devemos considerar que somos estrangeiros e estranhos no exílio. Aqui é a casa de outra pessoa. Nós não somos Israel. Somos Israel no exílio.
           Em Jeremias 29:5 está escrito: "àqueles como nós no exílio. Claro, plantar jardins e crescer e florescer e muito mais. Mas lembre-se sempre de que você está na Babilônia".
           Isso faz toda a diferença. Por quê? Porque somente então teremos o pensamento do exílio e o foco no evangelho. Começamos a pensar sobre a nossa missão de envolver uma cultura que Deus ama e quer redimir e restaurar para si mesmo.
Ed Stetzer dirige o Billy Graham Distinguished. É presidente da Igreja, Missão e Evangelismo no Wheaton College , é diretor executivo do Billy Graham Center , e publica recursos de liderança da igreja através do Mission Group.
ESTE ARTIGO FOI PUBLICADO NA REVISTA Christianity Today.
Em 1 DE MAIO DE 2018



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sexta-feira, 30 de março de 2018

A INCRÍVEL HOSPITALIDADE DA SEXTA-FEIRA SANTA

            

         A INCRÍVEL HOSPITALIDADE DA SEXTA-FEIRA SANTA

 A morte de Jesus demonstra o amor de Deus por estranhos, inimigos e estranhos”.
KRISH KANDIAH em 29 DE MARÇO DE 2018.

[TARDIS (acrônimo de Time and Relative Dimension(s) in Space) - em português: Tempo e Dimensão Relativas no Espaço - é a nave espacial e máquina do tempo no seriado de ficção científica da BBC Doctor Who. A TARDIS pode levar seus passageiros para qualquer lugar no tempo e espaço. Embora seu exterior pareça com uma cabine de polícia de Londres devido a um defeito irreparável no sistema de camuflagem (na sétima temporada o Doutor afirma que há como reverter, mas ele também afirma que perderia a TARDIS muito facilmente e também afirma que já se acostumou com o jeito de sua TARDIS), seu interior é muito maior do que o exterior (essa é a tecnologia dos Senhores do Tempo), contendo inúmeras salas.]Era estranho, um objeto estranho que aparecia em lugares aleatórios. E apesar de ser tão alienígena - literalmente - ninguém parece duvidar de sua existência e feitos quando assiste ao programa mundial de televisão: Doctor Who .


A cruz de Cristo é uma anomalia semelhante. Na era da moda depois da era da moda, é exibida em igrejas, escolas e cemitérios em todo o mundo, enfeita a letra de nossas canções de adoração e as paredes de nossas galerias de arte - este antigo instrumento de execução romana tornou-se um dos símbolos mais reconhecidos no planeta. E, no entanto, muitas vezes escapa à observação das pessoas.
Como a TARDIS, a cruz é um ponto estranho de partida para algo muito maior do que sua humilde aparência sugeriria. Algo que parecia tão pequeno e insignificante - tal como um judeu relativamente desconhecido morrendo de maneira banal nas mãos do Império Romano – é de fato, um convite para uma realidade muito maior. Isso nos leva à profundidade cavernosa do significado do amor, graça, ira e compaixão de Deus. Oferece aos que duvidam nova fé, nova esperança para os desanimados, para os solitários e para os perdidos. A cruz não é simplesmente uma solenização da morte, mas um convite à vida.
No coração da expiação  está a hospitalidade da misericórdia  divina, onde Deus convida os indignos e excluídos a voltar para casa com ele.
As palavras finais de Jesus na cruz, conforme registradas nos Evangelhos, nos fornecem o ponto de entrada para entender esse misterioso convite. Cada um dos sete ditos nos convida crucialmente a compartilhar da hospitalidade misericordiosa de Deus, não apenas sendo acolhidos como estranhos e inimigos que outrora éramos, mas também acolhendo outros estranhos e inimigos em seu nome e por Ele.
'PAI, PERDOA-LHES, PORQUE ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM’.
       Como cristãos, cremos que a crucificação de Jesus marca o momento mais sombrio da história humana, mas, já no início é possível ver o caráter de Cristo brilhar. O evangelho de Lucas registra as primeiras palavras de Jesus na cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (23:34). Jesus está pedindo a graça de Deus tanto para os judeus que estão voluntariamente rejeitando a ele quanto para os romanos que o estão executando brutalmente. Tanto para os soldados que estão martelando os cravos em seus pulsos, quanto para as multidões que assistem em sinal de aprovação.
Suas palavras também tem uma ressonância maior, indo muito além daqueles carrascos do primeiro século, até seus cúmplices no pecado de todos os séculos. As palavras de Jesus não são uma oração para si, mas para os outros. Ele não usa a sua última energia para pedir ajuda pessoal de seu Pai celestial, mas para defender a ação de homens que são estranhos e inimigos para ele. Suas palavras misericordiosas são um ato preventivo de graça antes do ato sórdido que está por vir. É um precedente de graça que abre um rastro para todos os que procuram seguir seus passos. É uma atitude que nos desafia a colocar as necessidades dos outros - até mesmo de inimigos e estranhos - à frente das nossas.
TENHO SEDE’
    A generosa oração de misericórdia de Jesus por seus inimigos contrasta com o que é reconhecido como sua segunda palavra dita na cruz. Com as palavras "tenho sede", Ele agora pede misericórdia na forma de uma bebida para lhe dar alívio. Isso parece intrigante vindo de alguém que se revelou como a “água da vida” a uma mulher estranha em um poço samaritano. O homem que ensinou seus discípulos a saciar a sede de estranhos como prova de seu amor por Deus, agora se torna aquele estranho sedento. É irônico que aquele que uma vez forneceu vinho em uma festa de casamento agora não tenha nada para beber. Ou talvez não seja irônico, mas pungente, que aquele que poderia acalmar as tempestades e andar sobre a água agora restringisse seu próprio poder e confiasse em outros para lhe trazer uma bebida.
Em sua aflição, a Jesus é oferecido vinagre de vinho em uma esponja. Ele recebe, permitindo e aceitando como um ato de hospitalidade, mesmo neste momento mais sombrio. Ele a recebe, apesar de ser pouco mais que um gesto de desprezo e hostilidade. Será que nós quando estamos em necessidade, podemos ser como Jesus e ver este momento como uma oportunidade de dar aos outros a bênção do ministério de hospitalidade?
EM VERDADE VOS DIGO QUE HOJE ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO.
    Na troca de palavras entre Jesus e o criminoso crucificado ao lado dele, nos é dada uma imagem significativa das boas-vindas que Deus oferece em meio a todo o trauma e tragédia. Naquele momento falar era algo extremamente difícil por causa da forma macabra da crucificação. Jesus escolhe usar algumas de suas últimas condições respiratórias para falar palavras de conforto e compaixão a um estranho. Novamente vemos na cruz de Cristo a história da incrível e maravilhosa graça. No coração da expiação está a hospitalidade divina, onde Deus convida os indignos e excluídos a voltar para casa com ele.
O ladrão na cruz reconhece a solidariedade de Jesus - ele sabe que Jesus enfrenta o mesmo sofrimento que ele. Ele também reconhece a santidade de Jesus: enquanto todos os outros viam um pretenso rei, um “não salvador impotente”, um quase “messias desapontador”, esse criminoso sozinho reconhece não só a sua própria culpa, mas também a inocência de Jesus frente a todas as acusações.
O criminoso reconhece a soberania de Jesus – reconhece que havia um reino esperando por Jesus após sua morte. Pilatos não entendera isso, apesar da legenda que ele anexou à cruz. Os líderes religiosos não haviam compreendido isso, apesar de inúmeras declarações proféticas que apontavam exatamente para esse momento. Nem mesmo os discípulos de Jesus haviam compreendido, apesar de terem passado três anos ouvindo Jesus explicar-lhes.
Além do próprio Jesus, nenhuma outra pessoa havia entendido que a crucificação não era apenas um erro terrível de justiça, mas era o meio pelo qual Ele seria coroado rei. Jesus endossa a opinião do próximo sobre os acontecimentos, respondendo graciosamente com a certeza que se tornou preciosa como a terceira das sete palavras de Jesus na cruz: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43). .
Jesus quer que esse criminoso confesso não tenha dúvidas de que em breve estará recebendo a última recepção, uma recepção VIP na vida eterna na presença de Deus. Em meio à dor extrema que sentia, essas eram palavras de conforto e privilégio são palavras para se agarrar. Caso nos percamos no tratamento preferencial dedicado por Jesus aos excluídos em seu ministério, Ele se certifica de que não perderemos isso aqui. Mirando para a sua coroação como Rei do Céu, Jesus traz um criminoso condenado como mais um de seu Reino.
'AQUI ESTÁ O SEU FILHO. . . . AQUI ESTÁ SUA MÃE.
      O quarto dito por Jesus na cruz está registrado no evangelho de João. Jesus se volta para sua mãe Maria, ao lado de seu amigo João, e diz: “Mulher, aí está seu filho”, e para João, ele diz: “Aí está sua mãe”. Mesmo morrer pelos pecados do mundo e assegurar nosso lar eterno não eram uma tarefa grande o suficiente.  Jesus também assegura a hospitalidade temporal para aqueles mais próximos a Ele. O altamente respeitado erudito do Novo Testamento, D. A. Carson, reconhece nessas palavras o eco de uma fórmula de adoção legal, e é o próprio João a dizer que “daquele momento em diante, esse discípulo a levou para sua casa”.
João adotou Maria como sua própria mãe, para cuidar de suas necessidades e consolá-la neste momento de grande perda pessoal. Neste simples ato, vemos Jesus na prática promover a hospitalidade fazendo com que as pessoas se reconciliem com Deus e umas com as outras.
'MEU DEUS, MEU DEUS, POR QUE ME ABANDONASTE?'
     Tanto Mateus como Marcos registra o quinto dito de Jesus na cruz em um grito de desolação: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Aqui Jesus está citando o Salmo 22, onde o Rei Davi está enfrentando sérios problemas. O grito de desespero de Davi, a descrição do ridículo e dos insultos recebidos, o coração derretendo como cera, a sede e a aposta para ver com quem ficará suas roupas parecem descrever a crucificação de Jesus com uma exatidão incrível. Mas o uso feito por Jesus destas palavras expressa um desespero muito maior pelo isolamento experimentado por Ele naquele momento; o Deus Filho, estava alienado de Deus, seu próprio Pai.
De algum modo profundo e misterioso, o relacionamento da divindade, o único Deus que está em três pessoas, foi interrompido pela cruz. A consequência de Jesus carregar o peso esmagador dos pecados do mundo em seus ombros é que o faz se alienar de seu pai. De alguma forma, Jesus teve que ser abandonado pelo pai, para que pudéssemos ser perdoados. Ele foi rejeitado para que pudéssemos ser aceitos. Ele foi excluído da misericórdia de Deus para que pudéssemos ser incluídos. Aqui está o ato final de hospitalidade: “Jesus seria deslocado da presença de Deus para que pudéssemos ser acolhidos”.
'PAI, EM TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO'.
      As palavras finais de Jesus quando o sol escureceu ao meio-dia e o véu do templo se dividiu em dois, está registrada no evangelho de Lucas; declaram que Deus não é mais um estranho para o seu povo - todos são bem-vindos em sua presença, seu santuário. Jesus clama: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Estas palavras demonstram que, apesar da agonia da sua morte, Jesus ainda tem grande confiança e afeição pelo Pai celestial.
As palavras nos lábios de Jesus são emprestadas do Salmo 31, que é efetivamente um pedido de asilo. No meio de grande aflição pessoal, o grito de Davi expressa sua confiança no cuidado protetor de Deus, no qual ele busca refúgio. Apesar de todas as aparências, Deus é seu lugar seguro, seu quarto do pânico, sua fortaleza. Jesus agora pede a mesma hospitalidade de Deus - para o santuário da turbulência em que se encontra. É um momento comovente, testemunhado por uma pessoa inesperada: um centurião romano, um estranho em meio a uma multidão de pessoas de judeus. Ele declara seu louvor a Deus: "Certamente ele era o Filho de Deus!" Este inimigo e estranho vê o que ninguém pode ver. Mais uma vez, mesmo no próprio momento de sua morte, Jesus está abrindo o caminho para que aqueles previamente excluídos do reino de Deus sejam reconciliados e acolhidos.
'ESTÁ CONSUMADO. '
   Finalmente Jesus profere suas últimas palavras: 'Está consumado'. Existem tantas maneiras diferentes para se mostrar a veracidade  dessas palavras. O sofrimento de Jesus findou - Ele se identificou com a dor da humanidade ao extremo. O sistema sacrifical que sustentou a prática religiosa judaica por tanto tempo terminou e terminou porque a ira de Deus está totalmente satisfeita com o sacrifício de seu único Filho. O cativeiro da humanidade ao pecado terminou, o pagamento do resgate necessário para nos libertar desta escravidão foi pago. A Páscoa terminou quando Jesus, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, cumpriu tudo o que o resgate de Deus de seu povo do Egito simbolizou. A batalha contra o mal terminou quando Jesus, o conquistador, vence a morte morrendo em nosso lugar. Nossa exclusão da presença da ira de Deus finalmente acabou.
As sete frases ditas na cruz, naquela estranha, tenebrosa, mas boa Sexta Feira pintam uma bela imagem multifacetada de Jesus como o grande anfitrião do céu.
As sete frases também nos apresenta um desafio urgente nesta Páscoa: “estamos dispostos a nos unir a Jesus e convidar outros - forasteiros, inimigos e estranhos - para nosso lar e nosso coração em antecipação à nossa esperança eterna”?
Para ser honesto, eu não tinha notado antes que a hospitalidade é o fio de ouro que tece ao longo de cada um dos ditos da cruz. Apesar de ensinar essas passagens a cada Sexta-feira Santa por décadas, foi necessária uma crise global de refugiados para abrir meus olhos para o fato de que receber o estranho é um tema dominante, não apenas da crucificação, mas de toda a Escritura. Muitas vezes eu tinha interpretado esses versículos como uma forma de terapia pietista - eu apenas lembrava a minha congregação o quanto Deus os amava, tanto é que Jesus morreu por eles. Isso é verdade, mas a cruz tem muito mais a dizer para nós. Muito mais para nos desafiar.
Ouvindo novamente as palavras de Cristo ditas na cruz, minha oração é que cada um seja desafiado pela hospitalidade radical de Deus e possa considerar o que realmente significa andar no caminho da cruz. Para quem Deus quer que mostremos uma hospitalidade radical? Para quem Deus está pedindo para você abrir sua casa, sua família, sua igreja?   Somente Cristo morreu pelos pecados do mundo, mas sua cruz deve moldar nossas vidas e, certamente, isso significa que devemos anunciar e oferecer a vinda de Cristo ao excluído, ao refugiado, ao filho adotivo e à viúva.
Krish Kandiah é o fundador da instituição de caridade de acolhimento e adoção Home for Good e dá palestras sobre justiça, hospitalidade e missão no Regents Park College, na Universidade de Oxford e no Regent College Vancouver. Este artigo é adaptado de seu livro mais recente, God Is Stranger (IVP, 2017).


Traduzido e formatado por Fabio Silveira de Faria


https://www.christianitytoday.com/ct/2018/march-web-only/incredible-hospitality-of-good-friday.html?utm_source=ctweekly-html&utm_medium=Newsletter&utm_term=11338976&utm_content=574618243&utm_campaign=email




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sábado, 17 de fevereiro de 2018

O PECADO NA ATUALIDADE


[O Sr ORMELINDO caminhava tranquilamente por certa calçada, e só se lembrou do buraco que havia em seu sapato, quando inadvertidamente pisou em um cigarro aceso jogado ao chão. A brasa do cigarro em contato com a meia de nylon formou uma “goma pegajosa abrasante” causando-lhe uma queimadura bem dolorida, pois, devido sua tendência à obesidade encontrou dificuldades para executar o ato de abaixar, descalçar o sapato e, consequentemente se livrar da meia que grudara em sua pele. Este incidente fez com que o Sr ORMELINDO tomasse uma decisão radical em relação ao seu vestuário futuro: “DECIDIU QUE A PARTIR DAQUELE MOMENTO JAMAIS IRIA CALÇAR MEIAS”].
              << A decisão do Sr ORMELINDO em relação ao “buraco do sapato” é análoga à ação adotada pelo “CRISTIANISMO INSTITUCIONAL" no que se refere ao ensino, e ao próprio combate ao pecado, pois na maioria das vezes, elege-se como prioridade solucionar as consequências desprezando por completo a busca e eliminação das causas." >>
Diversas instituições cristãs, tanto as católicas quanto as evangélicas, simplesmente estão direcionando seus membros a olhar para as árvores sem considerar que elas sejam partes integrantes e formadoras da floresta, pois, a ênfase de seus ensinos está na priorização do abandono da prática de atos pecaminosos externos individuais, pautando o pecado como uma questão de ética e de moral e não como rebeldia contra Deus.
O “padrão” atual ensina que o BOM CRISTÃO é aquele que cuida bem de sua família, é o que obedece aos superiores, é o que não tem vícios (aliás, beber e fumar parecem ser os pecados mais graves existentes), é o que lê a Bíblia todos os dias. o que recita de cor vários versículos, é o que paga os impostos em dia, é o que não tem seu nome cadastrado nos órgãos de proteção ao crédito, é o que paga ou devolve religiosamente o dizimo, é o que se faz presente em todas as atividades da igreja, é o que coopera com alimentos para a cesta básica do necessitado, é o que não adultera, é o que não mantém relações sexuais antes do casamento, é o que não furta e nem mata, é o que não profere palavras torpes etc. 
Todas as atitudes citadas, sem exceção, são maravilhosas, dignas de elogio e devem ser incentivada, e praticada por todos, porém, são comportamentos independentes da graça de Deus. Inclusive, muitas dessas atitudes descritas se constituem em regra de praxe de instituições não cristãs. Portanto, praticá-las não significa combater o pecado, não significa testemunhar Cristo como Senhor de nossas vidas; e consequentemente, não significa proclamar a “boa nova” de que na cruz, Cristo (Deus encarnado) nos libertou do poder exercido pelo pecado.
Na atualidade, o cristianismo está dominado por uma visão triunfalista, e essa visão induz a uma pregação antropocêntrica que na essência produz motivações facilitadoras à conservação do pecado, pois são pregações que ensina e incentiva as pessoas serem individualistas, preocupadas somente com a resolução de seus problemas, ou com o realizar dos próprios desejos.
Como exemplo desta visão, pode-se destacar:
1 - as “reuniões de oração”, onde a maioria dos pedidos é centrada em particularidades, em individualidades;
2 - as “campanhas das sete semanas e suas variantes” (cada igreja procura uma forma mais atrativa e bombástica), onde o propósito é o de obter a vitória pessoal (no casamento, na profissão, nos negócios etc.);
3 - a musica cuja ênfase é “louvar um deus individualista” [“faz um milagre em mim”; “Deus cuida de mim”; “hoje o meu milagre vai chegar”].
A pregação que tem como ponto central o bem estar do homem, cuja ênfase está no combate às transgressões pessoais e aos atos pecaminosos individuais, é uma pregação impeditiva para os cristãos viverem em perfeita comunhão exercendo o papel, que como igreja lhes foi determinado: "serem anunciantes da chegada do Reino de Deus, ao proclamar a libertação do poder exercido pelo pecado através do que Cristo realizou na Cruz, ao testemunhar sua ressurreição dos mortos, e a consequente propiciação da Vida Eterna aos que crerem nesta obra."
Obs: Este texto faz parte do estudo REFLEXÃO E PARADIGMA"
Fabio S. de Faria


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