Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus"!
"Μετανοεῖτε• ἤγγικεν γὰρ ἡ βασιλεία τῶν οὐρανῶν.”
POR
FABIO S. DE FARIA
“Na
narrativa bíblica de Mateus (capítulo 4), Jesus Cristo foi batizado, depois foi
levado pelo ES até o deserto para ser tentado, e a partir de então começou a
proclamar: Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus”! É
com essa proclamação que Ele solenemente inaugura o ministério de sua pregação.
A pregação de que uma nova era [um novo EON] estava prestes a ser iniciado.
Tanto no inglês – repentance – quanto no português, a palavra ARREPENDIMENTO significa sentir remorso, sentir pesar por atos cometidos. (ex: o arrependimento é ineficaz quando as reincidências são consecutivas.), mas no aramaico – a língua que Jesus falava, no hebraico – a língua dos eruditos e da elite do judaísmo -, e no grego – a língua no qual o NT foi escrito -, o sentido é bem diferente. No aramaico (e em cognatos semíticos próximos como o hebraico shuv), a palavra associada ao arrependimento é Tūbū (ou tub, do radical tāb), que significa literalmente "retornar" ou "voltar à origem". O significado real, não é culpa, não é carregar o peso de remorso, não é autopunição ou choro por algo feito de maneira indevida. É um despertar da mente, é dar meia-volta, realinhar-se com a sua essência pura e voltar para a fonte de onde se afastou.
É algo prático, que implica uma mudança de direção visível e atitudes que correspondem a um novo estado de consciência. Na Bíblia, a palavra grega usada é Μετανοεῖτε•, cuja tradução é METANÓIA, que significa uma mudança profunda na mente, no pensamento ou na forma de ver a vida, ou seja, conserva o mesmo significado do aramaico e do hebraico. A palavra grega METANOIA [metanoein], é formada a partir da união de METÁ, que significa "mudança, transformação" e ΝΟῦΣ, que significa "pensamento" ou "intelecto".
Quando o cristão estuda, lê a Bíblia a considerando como a
Palavra de Deus, reflete e analisa o seu conteúdo à luz desta conclamação,
deste convite de Jesus, certamente chegará à conclusão de que Deus criou os “céus
e a terra”, e principalmente a humanidade sobre o alicerce da MUDANÇA.Tanto o
universo, quanto o mundo, quanto a humanidade, estão em constante mudança, em
constante evolução.
Há um ponto de PARTIDA e um ponto de CHEGADA, mas entre eles as METÁS – mudanças – acontecem. Há as METANOIAS – mudanças na forma de pensar e analisar – mas, há também a principal METÁ, a mais aguardada de todas: a – μεταμόρφωση - METAMORFOSE. META (μετά) "mudança", "além" ou "depois" e Morphe (“forma” ou “aspecto”). Juntos, indicam a mudança de uma forma para outra, ou ir além da forma original.
No
ponto de PARTIDA, a Bíblia mostra como tudo foi criado, mostra o propósito do CRIADOR, o de constituir um
povo, que por livre e espontânea vontade o chamaria de MEU DEUS, e ELE viria a chamar
este povo de MEU POVO -, porém haveria um longo período de tempo e muitas
mudanças e transformações. Na primeira chance que o homem teve para escolher, optou
por andar por sua própria conta e risco, optou por si mesmo, não atentando para
o mandamento do CRIADOR. Ao escolher comer da árvore do conhecimento do bem e
do mal, condenou o seu corpo e de toda a sua descendência a envelhecer e
morrer, porém isto em nada impediu que Deus continuasse a executar o seu
propósito. Ele primeiramente eliminou, por meio do dilúvio, toda a criação
existente, mas por seis meses conservou em uma arca certa família, a família
com a qual iniciaria a nova população terrena, e dos descendentes desta família
separou um clã no qual Ele viria carnalmente e pessoalmente ao mundo. E foi
durante a estadia junto a este clã, que Ele, na pessoa de Jesus Cristo anunciou
a chegada do seu Reino, um reino extensivo ao restante da humanidade, a todos que
viessem a se tornar membros de uma nova família, a “assembleia” de Jesus Cristo,
a IGREJA.
No
ponto de CHEGADA, o reino é implantado. Ele, o próprio Deus na pessoa de Jesus
Cristo, morre como toda a humanidade condenada pela contaminação do pecado, mas
ressuscita em um novo corpo, e se constitui o primogênito de uma nova espécie
humana, uma espécie não só imortal, mas também eterna. O reino está implantado,
e cada membro da assembleia de Cristo ao morrer passa pela METAMORFOSE, da
morte para a vida. No momento em que o coração para de bater, que o sangue
deixa de circular, que a vida cessa, a CONSCIÊNCIA é revestida pela GLÓRIA de
DEUS, a matéria mortal e frágil é completamente absorvida e transformada pela
vida eterna de Deus. A “tenda terrena” temporal é destruída, volta ao pó de
onde foi formada, e assim como a borboleta surge bela e livre ao abrir do
casulo, a CONSCIÊNCIA celestialmente revestida, surge em um novo corpo se
unindo a Cristo como habitante do NOVO CÉU E DA NOVA TERRA.
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