sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

OS DOIS CESTOS DE FIGOS E A PREDESTINAÇÃO.

       "EIS UMA TEMPESTADE DE  IAHWEH, SEU FUROR SE DESENCADEIA, UMA TEMPESTADE ESBRAVEJA, IRROMPE SOBRE A CABEÇA DOS ÍMPIOS; A IRA DE IAHWEH NÃO SE APARTARÁ ATÉ QUE EXECUTE, ATÉ QUE REALIZE OS DESÍGNIOS DE SEU CORAÇÃO: NO FIM DOS DIAS, COMPREENDEREIS ISTO CLARAMENTE". 
[Livro de Jeremias no capítulo 23]



                     A razão do comentário aqui exposto está muito mais direcionada a um convite, do que a um ensino. É um convite para análise e reflexão sobre a soberania de Deus; convite que é direcionado a todos, mas que tem como alvo preponderante as pessoas que declaram, e que creem ser o comportamento e as ações de Deus, consequências ou frutos exclusivos de sua PRESCIÊNCIA, e portanto, desconsideram por completo sua PREDESTINAÇÃO; as pessoas que propagam ser possível ao homem escolher livremente, assim como mudar no momento desejado, a direção de seus caminhos

    [Também é muito importante esclarecer que o comentário a seguir não foi feito no intuito de fomentar a controvérsia 'calvinistas x arminianos', já que o entendimento do autor sobre o conceito da PREDESTINAÇÃO tem como base os ensinos de Agostinho, que viveu mil anos antes de Calvino e de Armínio.]


<<< << Iahweh me fez ver dois cestos de figos colocados diante do seu Templo. Foi depois que Nabucodonosor, rei da Babilônia desterrou de Jerusalém Jeconias, filho de Joaquim, rei de Judá, os príncipes de Judá, bem como os ferreiros e os serralheiros, e os levou para a Babilônia. Um cesto tinha ótimos figos, como os figos da primeira sazão; o outro cesto tinha figos estragados, tão estragados que não podiam ser comidos.
           E disse-me Iahweh "que vês, Jeremias? E eu disse: FIGOS. Os bons são muito bons, e os estragados são tão estragados que não podem ser comidos."
           Então, a palavra de Yahweh me foi dirigida nos seguintes termos: 
Assim diz Iahweh, o Deus de Israel, como a estes figos bons, assim olharei com bondade os exilados de Judá que mandei deste lugar para a terra dos caldeus. Porei meus olhos sobre eles para o bem e os farei retornar a esta terra.
Reconstituí-los-ei e não os demolirei, plantá-los-ei e não os arrancarei. 
 DAR-LHES-EI um coração para que me conheçam, que eu sou Iahweh
               [Na versão linguagem de hoje: Porei no coração deles o desejo de reconhecerem que eu sou Deus, O Senhor]
Eles serão o meu povo e eu serei o seu Deus, porque eles retornarão a mim de todo o coração.
 Mas, com os figos de tão estragados que, de tão estragados não podem ser comidos --- sim, assim diz Iaweh --, assim tratarei a Sedecias, rei de Judá, os seus príncipes, e o resto de Jerusalém, ou seja, aqueles que restarem nesta terra, e os que habitam na terra do Egito. Farei deles um objeto de horror, uma calamidade para todos os reinos da terra; uma vergonha, uma fábula, um escárnio e uma maldição em todos os lugares, para onde os expulsar. Enviarei contra eles a espada, a fome e a peste, até que desapareçam do solo que dei a eles e a seus pais.>>>>>  JEREMIAS CAPÍTULO 24.

PRESCIÊNCIA OU PREDESTINAÇÃO?

- Se fosse somente pela PRESCIÊNCIA, as pessoas teriam visto o caminho, e o teriam seguido normalmente, mas o texto de Jeremias relata com nitidez, que Deus escolheu as pessoas a serem deportadas a fim de receberem a disciplina na Babilônia, inclusive nomeando-as por categorias.  
( Para uma melhor observação leia o texto de Jeremias paralelamente ao texto do capítulo 24 do segundo livro dos Reis e do capítulo 36 do segundo livro das Crônicas, onde a história da saga dos descendentes do rei Josias é narrada.)

-Por mais que examinemos o texto, não conseguimos encontrar alguma referência de que as pessoas escolheram SER DEPORTADAS para terem a chance da salvação. Não foi feito nenhum tipo de "plebiscito". 
- Por mais que se tente aceitar a ação de Deus como sendo algo produzido  somente pela  PRESCIÊNCIA, e, não pela PREDESTINAÇÃO, sempre ficará sem explicação a fórmula usada por Nabucodonosor na seleção das pessoas a serem deportadas.   
- Se Deus agiu só pela PRESCIÊNCIA, porque então escolheu dar um CORAÇÃO NOVO apenas para os deportados?
- Se o homem é livre para ACEITAR ou REJEITAR, porque Deus disse que iria DAR ou POR somente no coração dos deportados o DESEJO de conhecê-lo ou reconhecê-lo como SENHOR?

Fabio S. Faria

Goiania, 28 de fevereiro de 2014

(Louis Berkhof)                                                                  
                                A Doutrina da Predestinação na História. 

A predestinação não constituiu um importante assunto de discussão na história até o tempo de Agostinho. Os primeiros pais da igreja, assim chamados, aludem a ela, mas em termos que fazem pensar que não tinham ainda uma clara concepção do assunto. Em geral a consideravam como a presciência de Deus com referencia aos atos humanos, baseado na qual Ele determina o seu destino futuro. Daí, foi possível a Pelágio recorrer a alguns daqueles primeiros pais. 
“Segundo Pelágio”, diz Wiggers, “a predeterminação da salvação ou condenação, funda-se na presciência.
Conseqüentemente, ele não admitia uma ‘predestinação absoluta’, mas, em todos os aspectos, uma ‘predestinação condicional’.” 
A princípio, o próprio Agostinho estava inclinado a esta maneira de ver, mas uma profunda reflexão sobre o caráter soberano do beneplácito de Deus levou-o a ver que a predestinação não dependia de modo algum da presciência divina das ações humanas, mas, antes, era a base da presciência de Deus.






        

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