sábado, 22 de janeiro de 2011

A HISTORIA DA TRAJETÓRIA DE MINHA CRENÇA!

Na infância fui educado de acordo com o modelo "cristão romano". Aprendi a rezar o "pai nosso", a "ave Maria", o "credo", a "salve rainha", e a recitar os mistérios do rosário. Cria piamente nos efeitos milagrosos da "benzição", assim como no efeito "curativo da água" contida no copo colocado ao lado do radio no momento da "prece poderosa” feita por um dos maiores lideres religiosos da época: ALZIRO ZARUR (o programa deste líder espirita era transmitido todas as noites pela radio Mundial do Rio de Janeiro às 20 horas).
Também na infância, através de uma revista mensal sobre "esoterismo", à qual minha mãe muito apreciava, é que tive os primeiros contatos com os ensinamentos a respeito do "poder do pensamento positivo" (muito em voga nas igrejas evangélicas de nossos dias),
Aos onze anos, iniciei o curso ginasial e além das aulas semanais de religião, passei a estudar regularmente o catecismo. Fiz a "primeira comunhão", e logo depois passei a fazer parte do grupo de coroinhas da igreja local, durante um bom período (quase dois anos) a dedicação ao estudo e ao conhecimento da liturgia, me levaram a ser um dos principais colaboradores das funções religiosas da paroquia de minha cidade.
Após os 16 anos, apesar de ser frequentador assíduo da igreja, inclusive sendo participante das primeiras “missa para jovens" embaladas pelos acordes das "guitarras", e mesmo crendo na existência de Deus, o amor ao estudo da "Historia Geral" e da “Biologia" tornou-se predominante. Darwin, a teoria da evolução, o iluminismo, as filosofias e religiões orientais, o espiritismo, o umbandismo, o poder da mente, a fé positivista etc, formaram em minha mente uma verdadeira "teia” de paixões, e aos poucos essas paixões eliminaram a crença nos "santos" e em todo "ritual litúrgico e religioso" da igreja apostólica romana.
Durante anos procurei conhecer, e em muitos momentos até viver um pouco de cada uma dessas paixões. Nas trilhas desse caminho, julguei ter encontrado no espiritismo e umbandismo a melhor "sombra", pois afinal era nessas duas "arvores" que estavam mais acentuadas as promessas de resolução dos problemas, tanto os de âmbito financeiro, quanto o sentimental, familiar e profissional. 
Entre idas e vindas; altos e baixos; vibração nas vitórias e decepção nas derrotas; alegria nos momentos de riqueza e tristeza em tempos de pobreza; o entendimento era que tudo estava ligado ao "poder da mente", e logicamente à influencia negativa e positiva  de forças ocultas exercidas pelos "bons" e "maus" espíritos. Cria que Deus era o senhor de todas as coisas, mas só iria interferir caso houvesse de minha parte o cumprimento de determinadas obrigações, aliado a específicos sacrifícios. 
Seguindo esta rotina, em um momento de grande frustração, após um desastre financeiro acompanhado de algumas desavenças familiares, fui instruído a buscar em uma "igreja evangélica", a solução e a cura para todas as mazelas que me atormentavam. 
Inicialmente, achei tudo muito interessante, pois a pregação e o ensino estavam de acordo com a minha maneira de pensar [o milagre era o mesmo; só mudava o santo], ou seja, basta crer em alguém (uma entidade de poder); ter fé (pensar positivo); expulsar satanás (os maus espíritos); fazer "campanha" (determinada obrigação); sem faltar nenhum dia ( o sacrifício especifico); e a vitória estará garantida. 
Durante vinte e sete meses cumpri fielmente este principio religioso, e o único resultado visível, era que a cada sete semanas a gaveta ficava mais cheia, devido ao acréscimo de mais uma unidade do famoso "cartão de campanha". Foram 120 semanas de campanhas (libertação, portas abertas, benção financeira, benção familiar, sucesso profissional, etc) sem que a profetizada, tão sonhada e esperada benção desse algum sinal. Essa situação me intrigava profundamente, pois por todos os ângulos examinados, o caminho o qual estava eu trilhava era o correto. Então, qual era a razão do insucesso? Esta indagação só foi respondida quando ao final de uma aula de estudos bíblicos, a ministrante sugeriu que em casa escrevêssemos uma "carta", ou um "salmo"; algo de intimidade com Deus.

Naquela noite ao tentar executar a sugestão recebida, escrevi a Deus muito mais que uma simples carta; escrevi uma declaração muito intima: "a do reconhecimento da minha condição de pecador"; e esse reconhecimento propiciou-me olhar para Deus, não mais na condição de um pedinte de bênçãos terrenas. Pela primeira vez, entendi plenamente que a GRAÇA e MISERICÓRDIA de Deus, não são concedidas para saciar desejos ou resolver problemas do ser humano. Pela primeira vez, visualizei JESUS NA CRUZ e a CRUZ SEM JESUS, e pude finalmente entender que na ENCARNAÇÃO, CRUCIFICAÇÃO E RESSURREIÇÃO de JESUS, está a única e verdadeira benção a ser buscada. A benção, que não depende de campanhas ou sacrifícios, mas da renuncia aos desejos, sonhos, planos e projetos elaborados pela nossa natureza pecaminosa: A BENÇÃO DA SALVAÇÃO.

Fabio S. Faria.



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